Quando indicar uso de anticoagulante para um paciente com Fibrilação Atrial(FA)?

| 7 fevereiro 2022 | ID: sofs-44599
Solicitante:
CIAP2:
DeCS/MeSH: ,

Quando a  FA apresentar escore CHA2DS2-Vasc maior ou igual a 1, neste caso, pontuado pela hipertensão e pela idade, tem indicação de anticoagulação adequada. São utilizados medicamentos antagonistas da vitamina K, como o  Warfarin ou  algum dos  novos ACO (NACO), classe de medicamentos de inibidores diretos do fator Xa, como a rivaroxabana, a apixabana e a edoxabana, e o inibidor do fator IIa, dabigatrana,  para os casos de maior gravidade..


A grande vantagem do escore CHA2DS2-Vasc é que pacientes com escore zero não necessitam anticoagulação, pois o risco de complicação trombótica, neste caso, é muito baixo. Para os casos de risco intermediário, podemos usar AAS puro ou combinado com clopidrogel. O manejo efetivo das comorbidades subjacentes é sempre importante.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Legenda: AIT Acidente Isquêmico Transitório; ICC: insuficiência cardíaca congênita; AVC: acidente vascular cerebral.

Fonte: II Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial (2016)

 

É considerado alto risco se pontuação de 2 ou mais, risco intermediário se 1 ponto, e baixo risco sem pontuação.

Além da anticoagulação, o tratamento deve focar no controle da frequência cardíaca(FC), nos casos de FA permanente. Independente da sintomatologia, a tendência ao desenvolvimento da taquicardiomiopatia é considerável, podendo levar a prejuízo permanente da função cardíaca. Para o controle da FC, deve-se utilizar fármacos com ações específicas sobre o Nódulo AV, como betabloqueador, inibidores do canal de cálcio (verapamil e diltiazem), digitálicos e amiodarona, levando sempre em consideração a presença ou não de ICC. O uso de fármacos que atuam no nódulo AV é o método de eleição para controle da FC, mas, nos pacientes resistentes ou intolerantes, o implante de Marca-Passo (MP), associado à ablação da junção AV (indução de bloqueio AV total), pode ser indicado

A fibrilação atrial é uma arritmia cardíaca que afeta 4% da população acima dos 60 anos, sendo que a doença cardíaca hipertensiva é a patologia mais frequentemente associada. O diagnóstico é feito pelo exame clínico e o ECG. O estudo radiológico do tórax é particularmente importante para a avaliação da circulação pulmonar e as dimensões do átrio esquerdo. Ecocardiograma transtorácico é importante na investigação clínica de qualquer paciente com FA, pois é capaz de avaliar a estrutura anatômica e funcional dos átrios e septo interatrial, a anatomia e função das valvas cardíacas, a presença de trombos e a função sistólica do ventrículo esquerdo.

O prognóstico da FA é bom, quando bem tratada.

Bibliografia Selecionada:

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