(SOF Arquivada) Quais repelentes podem ser utilizados por gestantes e qual o modo de uso?

| 1 agosto 2016 | ID: sofs-31992
Solicitante:
CIAP2:
DeCS/MeSH: ,

SOF Atualizada: https://aps-repo.bvs.br/aps/quais-repelentes-podem-ser-utilizados-por-gestantes-e-qual-o-modo-de-uso-2/

Segundo o Ministério da Saúde, os repelentes tópicos podem ser usados por gestantes desde que sejam registrados e autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e que sejam seguidas as instruções de uso contidas no rótulo do produto. A ANVISA regulamenta os repelentes químicos como cosméticos e exige que os rótulos dos produtos contenham o tempo necessário para sua reaplicação e o número máximo de aplicações durante o dia. É importante orientar os pacientes a ficarem atentos às concentrações do ingrediente ativo informadas nos rótulos dos produtos, embora a legislação brasileira não obrigue as indústrias a fornecerem informações exatas destas concentrações. 1
Algumas orientações para o uso de repelentes são importantes, em particular para aquelas pacientes que usarão produtos a base de DEET. Dentre elas: usar uma quantidade de repelente suficiente para cobrir levemente a pele, sem excessos; devem ser aplicados sobre a pele exposta, roupas ou ambos, mas não por baixo da roupa; uma camada bem fina de repelente pode ser aplicada no rosto, mas com cuidado; devem-se lavar as mãos após a aplicação do produto, evitando contato com os olhos, boca e genitais; não se deve aplicar o produto sobre cortes, feridas ou áreas irritadas ou inflamadas; não inalar aerossóis ou pulverizá-los em espaços fechados ou perto de alimentos; importante lavar as partes do corpo cobertas por repelente assim que seu uso não for mais necessário; não dormir com o produto no corpo; usar protetor solar antes do repelente, de preferência de produtos separados. 2,9


Existentes há pelo menos 70 anos, os repelentes para insetos a base de N,N-Dietil-meta-toluamida (DEET), são seguros para gestantes. Não há evidência de que a utilização de DEET por mulheres grávidas ou lactantes confira um risco para a saúde para fetos ou lactentes. Estes produtos conferem proteção contra mosquitos, moscas, larvas, pulgas e carrapatos. São comercializados em diferentes concentrações, sendo que os produtos a 10% conferem uma proteção de aproximadamente duas horas e os de 20 a 40% por aproximadamente cinco horas. Isto é importante, pois confere aos repelentes à base de DEET a mais abrangente e duradoura proteção dentre todos os produtos disponíveis no mercado, o que unido a sua segurança o torna o produto mais indicado no caso de gestantes. Algumas das reações adversas decorrentes do uso destes produtos são irritações na pele, reações alérgicas, dermatites e raramente neurotoxicidade.1,2
No Brasil, as concentrações de DEET na maioria dos produtos giram numa faixa inferior a 20%. Em um país com altas temperaturas e elevada umidade, isso pode levar a um tempo de proteção muito curto, principalmente se a pessoa estiver em ambientes ao ar livre por longos períodos de tempo2. As pacientes devem estar atentas a isso. Exemplos destes produtos são os da linha Off!®.
Repelentes a base de Picaridina, (Icaridina; Exposis®) são efetivos contra mosquitos e carrapatos. Em altas concentrações (20%), sua efetividade é semelhante ao de repelentes a base de DEET, embora seu tempo de ação seja menor a depender da espécie de mosquito considerada (em média, 5 horas com taxa de proteção em torno de 97% para o Aedes aegypt). Estes repelentes, em geral, não acarretam efeitos colaterais significativos em humanos, embora seja fundamental orientar as pacientes a não utilizarem em excesso o produto. A grande vantagem destes repelentes a base de picaridina é sua maior tolerabilidade em relação aos repelentes de DEET: irritam menos a pele, mancham menos os tecidos, não degradam plásticos e o produto não tem odor e não confere sensação de oleosidade na pele.2,3
No Brasil, os repelentes tópicos também podem conter o ingrediente ativo IR3535. São poucos os estudos sobre estes repelentes 2 e os poucos existentes divergem sobre o tempo de proteção conferida. Fradin e Day4 sugerem uma proteção de aproximadamente 23 minutos, enquanto Carrol5 sugere uma proteção que pode chegar a 7 a 10 horas, nos parecendo esta última uma estimativa excessiva já que outros trabalhos identificam uma baixa efetividade destes compostos quando comparados com produtos naturais6. Assim, há muitas dúvidas ainda sobre a efetividades destes produtos sendo seu uso em gestantes restrito.
O mesmo raciocínio vale para os repelentes para insetos naturais a base de óleo de plantas7. Por exemplo, óleos provenientes de Citronela com concentração entre 5 e 10% mostram boa proteção, geralmente acima de 98%, mas com curto período de ação (em torno de 2 horas) e sem estudos aprofundados de sua viabilidade de uso em gestantes8. Produtos a base de Citronela com concentrações superiores a 10% devem ser evitados devido o risco de sensibilidade cutânea2. Uma questão a ser levantada para estes produtos é talvez sua maior aceitabilidade pela população em decorrência de sua natureza2.

Atributos da APS
O profissional de saúde deve facilitar o acesso da gestante ao serviço de saúde a fim de proporcionar maior segurança a paciente, bem como orientá-la em relação a alguns cuidados durante a gestação em especial adoção de meditas de proteção relacionada a doenças transmitidas por vetores.

SOF relacionadas:

  1. Qual tipo de repelente pode ser usado por gestante?
  2. Gestantes podem usar repelentes para mosquitos?

Bibliografia Selecionada:

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Protocolo de vigilância e resposta à ocorrência de microcefalia relacionada à infecção pelo vírus Zika. 2015. Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2015/dezembro/09/Microcefalia—Protocolo-de-vigil–ncia-e-resposta—vers–o-1—-09dez2015-8h.pdf
  2. Breisch NL. Prevention of arthropod and insect bites: repellents and other measures. UpToDate®, 2016. Disponível em: http://www.uptodate.com/contents/prevention-of-arthropod-and-insect-bites-repellents-and-other-measures
  3. Roey KV et al. Field evaluation of picaridin repellents reveals differences in repellent sensitivity between Southeast Asian vectors of malaria and arboviruses. PLoS Negl Trop Dis. 2014 Dec 18;8(12):e3326. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4270489/
  4. Fradin MS, Day JF. Comparative efficacy of insect repellents against mosquito bites. N Engl J Med 2002; 347:13-18. Disponível em: http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa011699#t=article
  5. Carroll SP. Prolonged efficacy of IR3535 repellents against mosquitoes and blacklegged ticks in North America. J Med Entomol. 2008 Jul;45(4):706-14. Disponivel em: http://jme.oxfordjournals.org/content/45/4/706.long
  6. Soonwera M, Phasomkusolsil S. Efficacy of Thai herbal essential oils as green repellent against mosquito vectors. Acta Trop. 2015 Feb;142:127-30. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25438256
  7. Maia MF, Moore SJ. Plant-based insect repellents: a review of their efficacy, development and testing. Malaria Journal 2011; 10(Suppl 1):S11. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3059459/
  8. Bueno VS, Andrade CFS. Avaliação preliminar de óleos essenciais de plantas como repelentes para Aedes albopictus (Skuse, 1894) (Diptera: Culicidae). Rev. bras. plantas med. 2010 June;12(2):215-9. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-05722010000200014
  9. United States Environmental Protection Agency. Insect repellents: reducing insect bites. [internet], 2015. Disponível em: https://www.epa.gov/insect-repellents