(SOF Arquivada) Quais as principais abordagens de pacientes em tratamento anti-tabagismo?

| 17 agosto 2009 | ID: sofs-2351
Solicitante:
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SOF atualizada:  https://aps.bvs.br/aps/quais-as-principais-abordagens-de-pacientes-em-tratamento-anti-tabagismo-2/

A seguir, as recomendações selecionadas para abordagem clinica para auxiliar no tratamento farmacológico ou não, recomendado pelo Tobacco Use and Dependence Guideline Panel da U. S. Public Health Service.
Todos os pacientes devem ser indagados sobre o habito de fumar, e as respostas devem ser documentadas regularmente. Evidências mostram que esse procedimento intensifica as taxas de intervenção do profissional.
Uma vez que o usuário de tabaco seja identificado e alertado para deixar de fumar, é preciso avaliar a vontade do paciente de atingir o objetivo no momento atual.
O tratamento da dependência do tabaco é efetivo e deve ser aplicado mesmo se avaliação especializada não for utilizada ou não estiver disponível.
Todo o profissional deve alertar fortemente cada paciente que fuma para deixar de fumar, pois evidências mostram que a orientação do profissional aumenta as taxas de abstinência.
As intervenções breves, com duração inferior a três minutos, aumentam as taxas gerais de abstinência do fumo. Cada usuário de tabaco deve, no mínimo, receber uma intervenção breve, independentemente de ele ter sido ou não encaminhado para uma intervenção intensiva.
Há uma forte relação dose resposta, entre a duração do contato interpessoal e o sucesso do tratamento. As intervenções intensivas são mais efetivas do que as menos intensivas e devem ser utilizadas sempre que possível.
O tratamento mediante contato interpessoal, em quatro encontros ou mais, parece especialmente efetivo para aumentar a taxa de abstinência. Portanto sempre que factível, o profissional deve se esforçar para realizar pelo menos quatro consultas com indivíduos que estão deixando de fumar.
Aconselhamentos telefônicos pró-ativos, bem como aconselhamentos em grupos e individuais, são efetivos e devem ser utilizados nas intervenções para deixar de fumar.
As intervenções que utilizam múltiplos recursos promocionais aumentam a taxa de abstinência e devem ser encorajadas.
Todos os pacientes que recebem intervenção para deixar de fumar devem ter avaliado seu grau de abstinência ao completar o tratamento e durante os contatos com os profissionais subsequentes.
Três tipos de aconselhamento e terapia comportamental têm obtido melhores taxas de abstinência: 1) oferecer os fumantes treinamentos em capacidades de resolução de problemas; 2) oferecer suporte social como parte do tratamento; 3) auxiliar o fumante a obter suporte social fora do tratamento.
Todos os pacientes que querem deixar de fumar devem ser encorajados a usar farmacoterapias efetivas, exceto na presença de circunstancias especiais (p. ex., em casos de contra-indicação médica, em pacientes que fumam menos do que 10 cigarros por dia, em mulheres grávidas ou amamentando e em fumantes adolescentes)
A farmacoterapia prolongada (seis meses ou mais) deve ser considerada uma estratégia para reduzir a possibilidade de recaída.
O uso combinado de mais de uma forma de reposição de nicotina, em pacientes que não conseguem parar de fumar utilizando apenas uma forma, pode aumentar a taxa de sucesso.
Os tratamentos de cessação tem eficácia semelhante para homens e mulheres. Portanto, exceto em caso de fumante grávida, a mesma intervenção pode ser usada tanto par homens quanto para mulheres.
Devido aos graves riscos que o fumo apresenta para a mulher grávida e para o feto, fumantes grávidas devem, sempre que possível, receber intervenções psicossociais mais prolongadas ou aumentadas, excedendo o aconselhamento breve para parar de fumar.
Os tratamentos para deixar de fumar tem sido efetivos também em idosos.
O profissional deve ter em mente que, quando um individuo deixa de fumar, é comum que ele sofra ganho de peso. Além disso, deve:

  1. Salientar que os riscos apresentados pelo ganho de peso são pequenos quando comparados aos riscos que o paciente sofreia se continuasse fumando;
  2. Recomendar atividade física e dieta saudável para controlar o peso;
  3. Recomendar que os pacientes se concentrem principalmente no objetivo de deixar de fumar adiando a preocupação com ganho de peso para o momento em que estiverem confiantes de que não irão voltar a fumar.

É importante também identificar os usuários de cachimbos, charutos e formas não-combustíveis de tabaco e aconselhá-los fortemente a abandonar o vício. Esses indivíduos devem receber o mesmo tipo de aconselhamento recomendado para os fumantes de cigarros.
Todo o profissional, bem como o pessoal em treinamento, deve receber uma preparação sobre estratégias efetivas para auxiliar o fumante que quer parar de fumar e para motivar aquele que, no momento, não está disposto a deixar o vicio. Esse treinamento parece mais efetivo quando associado a mudanças no sistema de saúde onde se incluem programas de cessação.
Os tratamentos para deixar de fumar são mais um custo-efetivos do que o tratamento da hipertensão e outras intervenções preventivas, tais como mamografia, teste de detecção de câncer cérvico-uterino e tratamento para dislipidemia.


Bibliografia Selecionada:

  1. Fiore MC, Jaén CR, Baker TB, et al. Treating Tobacco Use and Dependence: 2008 Update. Clinical Practice Guideline [Internet]. Rockville, MD: U.S. Department of Health and Human Services. Public Health Service. 2008 [cited 2009 May 20]. Disponível em: http://hstat.nlm.nih.gov/hq/Hquest/db/local.ahcpr.clin.tob/screen/TocDisplay/s/50937/action/Toc Acesso em: 17 agosto 2009.
  2. Duncan BB, Schmidt MI, Giugliani ERJ. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 3a ed. Porto Alegre: Artmed; 2004.